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Genny

cegueira

Assisti a duas situações com dois invisuais esta semana que me fizeram sentir bem pequena. Aliás provocaram-me um misto de sentimentos que ainda estou a viver com eles. Sinto-me angustiada, revoltada por não poder fazer "milagres", revoltada por as coisas serem assim.

Com já disse, eu utilizo os transportes públicos. Estava dentro do bus à espera que os semáforos abrissem e à nossa frente estavam, também, três carros. O sinal ficou verde e os carros não andavam. Não andavam porque estava um cego no meio da estrada a tentar ir para o passeio. Dá-me a sensação que aquele senhor é novo por aqui e talvez por isso ainda não conheça bem a cidade. Era ver a aflição do senhor a andar para trás e para a frente, porque encontrava vários obstáculos, isto é, os carros. Mas o senhor já estava nisto à uns minutos e vocês acham que os condutores dos carros da frente foram ajudar o senhor a sair da estrada? Qual quê!! Toca a tocar a buzina!  Quando me apercebi que o senhor não conseguia dar com o passeio ainda estive para sair do bus, pedia ao motorista para esperar, e ia ajudar o senhor. Mas graças ao bom senso de uma senhora que ia no passeio e se apercebeu do mesmo, lá o foi tirar daquela confusão. Eu ainda hoje não entendo porque é que o condutor do carro que estava mesmo junto a ele não o ajudou!! Não entendo!

A outra situação, também com um invisual, foi quando este passou com a sua cadelinha guia e uns cães vadios ladraram para a cadela. O senhor segurou logo na cadela, mas apesar de estar ensinada não deixa de ser um animal. Nesta caso estavam ali mais pessoas e de alguma forma enxotava-mos os outros cães. Mas em situações em que isto possa acontecer em que os invisuais estejam sozinhos? Como é que eles protegem o cão guia e se protegem de não ser atacados pelos outros cães?

É nestas pequenas casualidades do meu dia-a-dia que me sinto tão pequena. Logicamente que o mundo não é nem nunca foi perfeito. Não é uma questão de ter pena destas pessoas, porque muitos deles são formados e são pessoas bem inteligentes. Muitas vezes dou por mim a pensar que apesar desta deficiencia nunca os vi com uma camisola do avesso como eu já vesti.

Revolta-me sim, a cegueira dos que têm olhos de ver mas não querem ver.